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Pesquisa analisa relação entre condições ocupacionais e saúde de trabalhadores

25.01.2012

    Os impactos provocados pelas transformações nos padrões de trabalho no país e suas consequências sociais e econômicas na saúde dos trabalhadores motivaram pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), das universidades federais de Minas Gerais e Bahia e do Ministério da Saúde a elaborar estudo que investiga a relação entre condições de trabalho e a saúde no Brasil. A pesquisa, que contribuiu para o documento da rede Employment Conditions and Health Inequalities Knowledge Network (EMCONET) – WHO Commission on Social Determinants of Health, foi publicada na edição de dezembro dos Cadernos de Saúde Pública da Fiocruz.

    No estudo, os pesquisadores relatam que, durante os anos 90, a reestruturação da economia e a globalização do mercado começaram a provocar grandes mudanças na organização trabalhista, afetando o significado do trabalho, a estabilidade do emprego, os salários e, consequentemente, a saúde dos trabalhadores.



    Breve panorama da saúde dos trabalhadores

    A condição ocupacional do indivíduo orienta a qualidade de sua saúde, revela a pesquisa. Conforme relatam os estudiosos, de acordo com a tese de doutorado "Desemprego, trabalho sem proteção social e saúde: uma análise do indivíduo e do contexto" - desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Universidade Federal de Minas Gerais -, a qualidade da saúde reportada por indivíduos desempregados é pior do que a narrada pelos empregados.

    A situação ocupacional informal do indivíduo também afeta a saúde daqueles que com ele residem. "O estudo também mostrou que viver em um lar com uma pessoa desempregada ou com emprego informal levou à piora da qualidade de saúde de todos os outros residentes", dizem os pesquisadores.

    O estudo revela que a natureza das doenças relacionadas ao trabalho é uma combinação de enfermidades ocupacionais antigas já controladas em países desenvolvidos – silicose, envenenamento por chumbo, pneumoconiose – e "novas" doenças ligadas ao trabalho, tais como desordens osteomusculares, dermatite causada por radiação solar e substâncias químicas e desordens decorrentes do estresse.

    A pesquisa aponta declínio constante no número de acidentes fatais relacionados ao trabalho nos últimos 20 anos. Porém, a notícia não é motivo de comemoração. "Essa tendência tem sido interpretada como resultado do aumento da participação no setor de serviços e da migração de trabalhadores formais para o mercado informal, uma vez que não há evidências de ações preventivas efetivas no país", alertam os estudiosos.

    Apesar do crescimento do mercado de trabalho informal, são poucos os estudos que exploram o impacto dessas condições ocupacionais na saúde dos trabalhadores. Para o avanço no estudo sobre o tema, os pesquisadores propõem a inclusão das relações de emprego nos dados do censo nacional ou em estudos sistemáticos, além do estímulo a pesquisas sobre os efeitos das relações empregatícias e condições de trabalho na saúde.

    O artigo completo em inglês pode ser acessado aqui.

    Fonte: Agência Fiocruz de Notícias


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